Comprar voo, hotel e passeio no mesmo pacote sem sair do sofá virou rotina. O problema é que a conveniência também abriu uma avenida para golpes digitais. E “cartão clonado”, hoje, nem sempre significa uma cópia física do plástico: muitas fraudes começam com dados roubados em páginas falsas, contas invadidas ou mensagens de phishing.
O tamanho do problema no Brasil ajuda a colocar o risco em perspectiva. A Serasa Experian identificou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade em processos de cadastro e validação no primeiro semestre de 2026, alta de 32,9% em um ano. Em 2025, na parcela do e-commerce monitorada pela empresa, foram 2,3 milhões de tentativas de fraude.
A boa notícia? Cinco cuidados simples afastam boa parte das armadilhas mais comuns.

1. Proteja a porta de entrada da sua viagem
Reservas, confirmações, redefinições de senha e comprovantes passam pela sua caixa de entrada. Por isso, trate o seu email como parte da carteira: use uma senha exclusiva, longa e ative a autenticação em dois fatores.
Se alguém assume essa conta, pode redefinir senhas em sites de viagens, localizar reservas e até se passar por você. Reutilizar a mesma senha em vários serviços é uma economia que costuma sair cara.
2. Não compre pelo primeiro link que aparecer
Promoção irresistível no Instagram? Anúncio no buscador com 60% de desconto? Investigue antes de colocar o cartão.
Digite o endereço da agência ou operadora diretamente no navegador e confira o domínio letra por letra. HTTPS é o mínimo, mas o cadeado sozinho não prova que a empresa é legítima. Pesquise o CNPJ, procure reputação em fontes independentes e, no caso de prestadores turísticos, confira o Cadastur quando aplicável.
Preço absurdamente abaixo do mercado merece desconfiança, não euforia.
3. Para compra online, cartão virtual é seu melhor amigo
Se o banco oferece cartão virtual, use-o. Ele tem dados diferentes do cartão físico e, dependendo da instituição, pode ser temporário ou ter limite ajustável.
O CERT.br recomenda cartões virtuais em pagamentos não presenciais e orienta reduzir o limite quando possível. Vale consultar a Cartilha de Segurança para Internet antes de uma compra de valor alto.
Ative também notificações instantâneas. Se surgir uma cobrança estranha, você descobre em segundos, não na próxima fatura.
4. Wi-Fi de aeroporto não é lugar para fechar as férias
Pesquisar restaurante, tudo bem. Digitar dados do cartão, senha bancária ou acessar conta financeira em Wi-Fi público aberto? Melhor não.
Para pagar o pacote, prefira sua rede doméstica ou a conexão móvel do celular. Mantenha sistema e navegador atualizados e jamais ignore alertas de certificado ou segurança.
Também desconfie de boletos enviados por mensagem e, no Pix, confira o nome e o CPF ou CNPJ do destinatário antes de confirmar.
5. Comprou? A segurança continua
Salve contrato, recibo, anúncio, condições do pacote e confirmação da reserva. Ative os alertas do banco e acompanhe a fatura nos dias seguintes.
Achou uma transação que não reconhece? Bloqueie o cartão pelo aplicativo e contate imediatamente o banco ou emissor para contestar a cobrança.
Segurança digital não precisa transformar o planejamento das férias numa operação policial. Basta criar alguns hábitos e repeti-los. Depois, volte ao que realmente interessa: escolher o destino, montar o roteiro e decidir o que vai entrar na mala. Se a próxima viagem for internacional, vale também conferir este guia sobre como organizar uma viagem para o exterior.






